Lençóis Maranhenses: um horizonte de dunas e águas claras

Eu gosto de ir a lugares em que eu deixo um pedaço do coração e levo lembranças das mais lindas comigo. E assim foi visitar os Lençóis Maranhenses.

A viagem começou em São Luís, onde a minha primeira impressão não foi das melhores (mas talvez por ter visitado os lugares errados). Fui à praia da Litorânea, perto do Calhau, e de lá fui ao Centro Histórico, que achei meio decadente e perigoso, com uma energia ruim. Acabei nem ficando lá por muito tempo. O ponto alto do meu único dia na capital maranhense foi no jantar, no restaurante Cabana do Sol. Lugar bonito, comida boa e farta, pessoal gentil (não, não comi o tradicional arroz de cuxá – fiz isso só para ter motivos para voltar rs).

Mas o post não é pra falar de São Luís, não é mesmo? De lá a gente seguiu viagem e foi um pouco mais além, lá onde Deus aparece ao vivo e a cores, como disse minha irmã. E olha, quantas cores! E quanta vida! E quanta energia!

Quer saber como foi? Então continue comigo por mais uns minutinhos. Eu prometo que vai valer! 😉

Lagoa Maçarico vista do alto (parece o mapa da América do Sul, né? rs)

O planejamento da viagem

Quem já pesquisou sobre os Lençóis, sabe que por lá não há quatro estações: é só verão e inverno. Agora, em abril, eles estão passando pelo inverno, que é a época de chuvas (de janeiro a meados de maio – em maio já melhor, mas com tempo instável). Mas pra que pesquisar, né? Apareceu promoção de passagem a gente compra, depois vê se vai dar certo ou não rs. Compramos as passagens por um preço ótimo para o feriado de 1º de maio e nem olhamos se fazia sol, chuva, frio ou calor. Depois, quando comecei a pesquisar, vi que podia dar muito errado, porque nessa época chove sem parar por lá. Mas a chuva é necessária para formar as lagoas. Se não tem chuva, não tem temporada. Então eu fiquei num misto de não saber se rezava pra chover, se rezava pra secar, foi difícil esperar hahaha 🙂

Chegamos até a pensar em mudar a viagem para outra época, mas a gente não é de desistir fácil. Então como resolvemos ir com chuva ou com sol, o negócio era organizar.

A primeira dúvida foi escolher uma das cidades base que dão acesso ao Parque Nacional dos Lençóis: Barreirinhas, Santo Amaro ou Atins. A primeira, Barreirinhas, é a que tem mais estrutura (mas não pense que você está indo para uma cidade de charme cheia de boutiques, restaurantes e tudo mais, não é isso! Lá tem o básico e tudo muito simples). Santo Amaro parece ser a mais rústica de todas, menor e mais perto de São Luís (não muito mais perto). Quando comecei a pesquisar, pensei que Santo Amaro e Atins viessem depois de Barreirinhas, mas não. O que acontece é que o acesso à Santo Amaro é mais difícil (são 240km, sendo 40 deles em estrada de chão) e pelo que li, nessa época de chuvas pode não dar muito certo ir pra lá. Atins fica próximo à Barreirinhas e é o povoado que fica na praia, do outro lado do Parque Nacional dos Lençóis. Para chegar lá é preciso passar por Barreirinhas antes e depois seguir viagem em barco de linha (5h de viagem), em lancha voadeira particular (1h de viagem) ou em 4×4 (2h de viagem). Já para Barreirinhas são cerca de 250km em estrada asfaltada, mas que exige cuidado, então a viagem dura em média 4 horas.

Nós escolhemos Barreirinhas e pensamos em fazer um bate e volta para Atins, mas nós só tínhamos três dias, sendo a tarde de sábado, o domingo inteiro e a manhã/começo da tarde na segunda, então depois de falar com algumas pessoas achei que seria muito sacrificante “sacolejar” num 4×4 até lá, perdendo quase 4 horas do dia para ir e vir. Além disso, perderíamos a viagem pelo rio Preguiças, que é um passeio de dia inteiro e que chega bem próximo à Atins.

Com a cidade decidida, comecei a pesquisar transfer, pousada e passeios.

Para reserva do transfer ida e volta São Luís/Barreirinhas/São Luís e também para os passeios, escolhi o Portal Barreirinhas (site e Instagram). Os encontrei no Insta pesquisando fotos dos Lençóis e vi que faziam reservas. O transfer custou R$ 70 por trecho e por pessoa e os passeios entre R$ 70 a 80 (valores de baixa temporada, ref. abril/2018). O pagamento foi antecipado por depósito bancário e correu tudo super bem. Todas as saídas no horário, guias atenciosos, carros novos, tudo beleza! A agência que cuidou dos passeios foi a São Paulo Ecoturismo, também por meio do Portal.

Quanto à pousada, não poderia ter feito escolha melhor! Eu estava procurando por alguma pousada que tivesse piscina e boa localização, mas mal sabia eu que estar próximo ao centro não significa muita coisa, porque não tem muito o que fazer por lá rs. Aí selecionei três opções com bom custo benefício (todas na faixa de R$ 500 a 600 duas diárias em quarto duplo) e dividi com a minha irmã pra saber a opinião dela. Ela me disse que eu podia escolher. Aí eu estava quaaaaase fechando, quando vi a Orla Náutica por quase R$ 200 a menos nos dois dias e, aparentemente, uma gracinha, às margens do rio Preguiças, com piscina, só que a uns 2km do centro. Conversei com a mana e resolvemos arriscar. E gente, pensem num lugar incrível, lindo, de pessoas queridas que te recebem como se você fosse da família?! Pois é! Além de linda e muito bem cuidada, a pousada também tem uma cozinha que funciona até às 21h, então você nem precisa sair de lá pra nada (a não ser para os passeios, claro). Nós chegamos super cansadas nos dois dias e encomendamos o jantar por lá mesmo! Tudo feitinho na hora, delícia demais. No último dia não fizemos passeios e ficamos por lá aproveitando a piscina e tomando uma cervejinha na boa, com uma mega assistência de toda a equipe da pousada (aliás, aqui vai o meu agradecimento especial ao casal Junior e Aruza, gerentes da pousada; à Nayane, da recepção; às queridas da cozinha, Maura, Maria, Bernarda, Leandra e Luíza; e aos meninos, Ronaldo e Gil).

1º dia – chegada à Barreirinhas e o sonho de pisar nos Lençóis

Nosso primeiro dia começou cedo, ainda em São Luís. Saímos às 7h10 do hotel e seguimos de microônibus para reunir todo o grupo que iria com a gente. A saída oficial foi pontualmente às 8h, quando encontramos o último casal em um hotel no Centro Histórico. A viagem até Barreirinhas dura mais ou menos 4 horas com 15 minutos de parada em Morros, mais ou menos na metade do caminho. Depois, estando em Barreirinhas, ainda vai mais um tempo até que o motorista entregue todo mundo nas suas respectivas pousadas. Chegamos na Orla Náutica por volta de 12h45, fizemos nosso check-in e já nos preparamos para sair, porque o carro passaria para nos pegar às 13h50. E assim foi.

Até chegarmos em Barreirinhas, o céu estava carrancudo, mas não vimos chuva. Daí foi pisarmos na pousada e o mundo desabou. Eu já estava quase vendo o rolê em cacos, quando o céu abriu de novo e firmou. Tudo em questão de uns 45 minutos (sim, São Pedro é super blogueirinho e não iria me deixar na mão rs). O carro passou pra nos pegar e de lá fomos para a balsa. Da pousada até as dunas, levamos mais ou menos umas 2 horas (sim, gente, só é paraíso se é longe, né? rs). Primeiro vem a travessia da balsa (e a fila para tal), depois mais uns 45 minutos a uma hora sacolejando no 4×4 até chegar ao ponto de subida. Nosso grupo fez o circuito da Lagoa Bonita (que o próprio nome já diz: é a vista mais bonita mesmo), mas a maior parte dos carros foram para a Lagoa Azul, que é a região que tem lagoas cheias por mais tempo.

Travessia de balsa pelo rio Preguiças

A dificuldade na Bonita é que para se chegar às lagoas, é preciso subir (praticamente escalar) uma “parede” de areia de mais ou menos 70m de altura. E olha, o negócio é tenso! Tão tenso que tem uma corda fixa lá para dar uma forcinha pra galera do meio para o topo. Mas o prêmio para quem chega é a vista deslumbrante de areias e lagoas sem fim. Sem exageros, mas é uma das paisagens mais bonitas que já vi na vida. De emocionar mesmo!

A chegada no topo das dunas

Estando lá, o guia segue com a gente para visita às principais lagoas. Nós fizemos parada nas lagoas do Maçarico, do Clone (onde foi gravada a novela da Globo) e, por fim, na Lagoa Bonita, imensa e linda! Tudo isso graças a uma caminhada de mais ou menos 4km subindo e descendo morro de areia. Eu estava carregando a mala do drone e pra mim aquelas escaladas pareciam sem fim, mas ao avistar a próxima “piscina”, eu respirava fundo e seguia. Daí, enquanto andava, só ficava agradecendo a Deus por não estar um sol de rachar, porque se estivesse a gente ia derreter e virar lagoa também hahaha.

Ah! Uma curiosidade: o guia recomenda que todos deixem as sandálias no carro e sigam com pés descalços. Perguntei se a areia não esquentava como acontece na praia e ele me disse que não, mesmo no alto verão. É um mistério (na verdade, o conjunto todo da obra é meio inacreditável, sabe? Parece um milagre, tudo!).

Terminamos o dia vendo o pôr do sol de um sol que mal deu as caras, mas foi lindo mesmo assim. Na descida do morro, há umas tendas que vendem água, refrigerante, tapioca, castanhas e artesanato. De lá, mais uma hora até a pousada, banho, comidinha e cama, porque quem aguenta mais que isso? rs

2º dia – rio Preguiças, macaquinhos em Vassouras, Mandacaru e Caburé

Para o segundo dia, reservamos o passeio de lancha voadeira pelo rio Preguiças, que é um roteiro de dia inteiro. Eu confesso que não esperava muito, já que o grande suspiro já tinha sido no dia anterior, mas me surpreendi.

Além de um dia de céu aberto, o percurso pelo rio Preguiças é lindo e merece ser apreciado. A viagem começa em Barreirinhas, com embarque nas agências ou nas pousadas (a maioria delas estão à beira do rio e tem acesso para barcos) e segue até Caburé, pertinho de Atins, onde o rio encontra o mar.

Entre as paradas estão o povoado de Vassouras, onde ficam localizados os Pequenos Lençóis, que são dunas menores, de águas não tão cristalinas como nos outros circuitos, mas bem bonito também. Lá ainda é possível ter contato com fauna e flora local (nunca fui ao Amazonas, mas imagino que seja um mini espetáculo similar rs), alimentar os macacos prego etc.

De lá, a próxima parada é em Mandacaru, já quase chegando em Caburé. A atração por lá é a subida ao farol, que dá uma vista panorâmica da região. A entrada é gratuita e depois de escalar tantas paredes de areia, subir 160 firmes degraus é mamão com açúcar, né? Se sobrar tempo, ainda dá para tomar um sorvetinho de frutas da região em alguma das vendas da ilha e comprar artesanatos.

A última e mais longa parada é em Caburé, onde de um lado fica o rio e, do outro, o mar. Entre os dois ficam as barracas/bares/restaurantes para almoço.

Em Caburé é possível alugar um quadriciclo por R$ 60 o período de meia hora e chegar até a ponta da ilha, onde é a foz do rio, de onde também é possível avistar Atins. Os guias fazem questão de dizer que é um passeio arriscado para quem não tem habilidades para dirigir o veículo, porque há muitos buracos na areia, então eu preferi não arriscar. Curtimos um pouco a praia, almoçamos na Cabana do Peixe (R$ 88 um peixe com molho de camarão para duas pessoas – achei caro pelo que é servido) e depois alugamos umas redes à beira do rio (R$ 5 por pessoa/rede), estilo aquelas de Jericoacoara, e por lá ficamos até o nosso barco retornar.

Na volta optamos por ficar no centro de Barreirinhas e não na pousada, porque a minha irmã queria comprar uns artesanatos. Demos uma voltinha por lá, mas estava quase tudo fechado e vazio, daí logo pegamos um taxi pra voltar (o taxi mais caro da minha vida! Para um percurso de 2km, o rapaz nos cobrou R$ 20. Segundo ele, para trajetos mais curtos custa R$ 13 – fiquei imaginando que por esse valor ele me levaria até o próximo quarteirão, né? Mas enfim!).

Terminamos o dia na pousada, com comidinha delícia preparada pela Bernarda <3.

Comidinha na pousada

3º dia – preguiça (não o rio, a preguiça mesmo rs)

Para o terceiro dia, como o ônibus para São Luís estava combinado para às 16h, tínhamos a opção de fazer o passeio de boia pelo rio Formigas, em Cardosa, que dura uma manhã e é bem tranquilo e relaxante, mas preferimos ficar na pousada aproveitando a preguiça, a piscina e a paisagem linda da Orla. Primeiro porque estávamos bem cansadas, segundo porque já fizemos um passeio de boia aqui no interior de São Paulo, terceiro porque quem fez esse do Formigas, disse que não era um passeio daqueles tão obrigatórios. Então pulamos! rs

Se fosse possível, eu acho que faria de novo o passeio de 4×4 para os Lençóis, para conhecer o circuito Lagoa Azul, mas na baixa temporada eles só fazem os roteiros para as lagoas na parte da tarde. Segundo o guia que estava com a gente, na alta temporada há a possibilidade de fazer manhã, tarde ou dia cheio. Deve ser incrível ter mais tempo por lá!

Para quem não liga para spoiler, no vídeo abaixo dá pra saber direitinho como passamos os nossos dias em Barreirinhas. E aí é só começar a organizar a sua viagem também! Tenho certeza que ficará para a história dos lugares mais lindos que você já visitou! Até a próxima! 😉

 

Lençóis Maranhenses em dicas curtas

  • Transporte: para chegar em Barreirinhas a partir de São Luís é possível ir de carro próprio, van ou traslado privativo. Nós fomos de van/microônibus, por R$ 70 por trecho e por pessoa na baixa temporada, reservado com o Portal Barreirinhas (há dois horários de saídas de São Luís: às 4h e às 7h da manhã). Também é possível reservar um carro privativo para até 4 pessoas pelo valor de aproximadamente R$ 300 (neste caso, você pode programar o horário de saída, o que ajuda para combinar com o voo de chegada na capital). Para essa última opção é só pedir indicação na sua pousada que eles agilizam tudo. Estando lá, todos os passeios são em barco ou carros 4×4 (é impossível chegar às lagoas em carros convencionais e mesmo que você tenha um 4×4, vai precisar de um guia para te acompanhar porque os caminhos são difíceis). Na cidade, há taxis e mototaxis à disposição.

 

  • Alimentação: a maioria dos restaurantes de Barreirinhas ficam na Av. Beira-Rio, mas não visitamos nenhum. Optamos por fazer as refeições na pousada mesmo (boa parte das pousadas oferecem serviço de cozinha e achei uma ótima opção!). Em Caburé, almoçamos na Cabana do Peixe (comida boa, atendimento atrapalhado e preço salgado, mas parece que é a média por ali). Não deixem de experimentar as frutas da região, principalmente bacuri.

 

  • Hospedagem: pelo que vi, as melhores opções são as pousadas que ficam às margens do rio Preguiças. Além da paisagem, tem a facilidade de não precisar ir de carro até o ponto de saída para alguns passeios , porque o barco busca direto na pousada. A que ficamos e que recomendo demais é a Orla Náutica. Um grupo que fez um dos passeios com a gente, ficou na Encantes do Nordeste e a recomendação foi boa, mas ela fica ainda mais longe do centro e é mais cara.

 

  • O que fazer: o imperdível e básico é fazer qualquer uma das rotas para os Lençóis. Nós fizemos o circuito da Lagoa Bonita que faz jus ao nome. Em Barreirinhas há também a rota da Lagoa Azul, além das opções em Santo Amaro. O passeio pelo rio Preguiças também vale demais! Para quem tiver mais tempo, dá para fazer o bate e volta à Atins e também à Santo Amaro.

 

  • Itens básicos: protetor solar, repelente, sandália/chinelo confortável para andar muito e roupas leves. Uma mochila é mais que suficiente para uns 4 dias por lá.

 

  • Quando ir: esse é o ponto mais difícil. Teoricamente a alta temporada e quando não tem erro, é entre junho e início de setembro. Mas se não chover bem nos primeiros meses do ano, não vai ter lagoa cheia, porque elas secam muito rápido em dias de sol forte e quente. A partir de setembro até janeiro, pelo que ouvi, é a época mais crítica de seca. A partir de janeiro começam as chuvas que vão até meados de maio (o pico é entre março e abril). Nós arriscamos e fomos no fim de abril e pegamos dias instáveis mas lindos. Lagoas muito cheias, céu meio aberto, meio nublado, mas não temos do que reclamar. Acho até que com sol forte ficaria difícil caminhar pelas dunas confortavelmente.
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