Ouro Preto: um subir e descer ladeira com muita história envolvida

Eu sempre ouvi falar muito bem de Ouro Preto, mas não esperava que a cidade pudesse render tantos suspiros.

Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO e praticamente um museu a céu aberto, a cidade é um mix gostoso de história, cultura, comida e bebida boa e, claro, muita, mas muita ladeira pé-de-moleque* pra gente subir e descer um milhão de vezes. Uma ótima oportunidade para remontar (com uma pitadinha de charme), as nossas aulas de arte e história dos tempos de escola.

* Tipo de calçamento característico do período colonial, o piso pé-de-moleque são pedras irregulares no chão batido que, diz a lenda, leva este nome porque eram as crianças que assentavam as pedras com os pés.

Dessa vez seguimos viagem do Topo do Mundo (Brumadinho) para Ouro Preto, dando continuidade ao nosso feriado de 9 de julho pelas cidades (não só históricas) de Minas Gerais. Vamos com a gente? 🙂

A chegada em Ouro Preto

Saímos do Topo do Mundo por volta de 13h30, superamos a preguiça depois de um almocinho delícia, e percorremos os quase 75km de lá até a cidade de Ouro Preto, passando pelas belas paisagens da Estrada Real (Rodovia dos Inconfidentes).

Entrando na Estrada Real, depois de alguns quilômetros do Topo do Mundo
Entrando na Estrada Real, depois de alguns quilômetros do Topo do Mundo

A estrada por si só já é uma delícia de passeio, porque resgata toda a história do trânsito de ouro e diamante de Minas Gerais até os portos do Rio de Janeiro. Ao todo são mais de 1.500 quilômetros de extensão, passando por Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo e, para quem quiser guardar uma lembrança muito legal dos Caminhos da Estrada Real, é possível fazer um passaporte e ir ganhando carimbos nos pontos oficiais. São quatro caminhos por toda a extensão da Estrada e para conseguir o certificado de cada um destes caminhos, o viajante precisa conseguir um número X de carimbos. É muito legal, principalmente para as crianças. Para saber mais sobre o Passaporte, que é gratuito, é só visitar o site oficial.

As belas paisagens da Estrada Real
As belas paisagens da Estrada Real

Bem, já falei um montão e ainda nem chegamos em Ouro Preto, hein? Vamos lá!

Chegamos na cidade por volta de 15h, exaustas, porque já estávamos na estrada desde cedo, e logo fomos procurar um lugar seguro para estacionarmos o nosso carrinho, já sabendo que ele ficaria ali parado até o domingo, quando fôssemos embora. É que é impossível se locomover de carro pelas ruas da cidade, principalmente em um feriado prolongado e com Festival de Inverno rolando. E foi a nossa melhor escolha! Estacionamos na rua mesmo, em um lugar tranquilo, e fomos embora rezando para que nada acontecesse com o bichinho (que era alugado!). E deu tudo certo, ainda bem! 🙂

Centro Histórico visto do alto, com o fundo da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias (fechada para restauração)
Centro Histórico visto do alto, com o fundo da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias

De lá subimos umas três quadras até o nosso hostel (Freedom Hostel – Viva Chico Rei), que fica em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, também Museu Aleijadinho, um belo exemplar de arquitetura sacra do período Barroco, mas que infelizmente estava fechado para restauração. Ao lado do hostel ainda tem outro ponto interessante: a casa onde viveu Aleijadinho e seu pai. Hoje funciona uma lojinha de artesanato no local, mas os donos deixam que as pessoas subam para conhecer a casa (sem cobrar nada por isso). Lá também mora um cachorrinho muito ‘buena onda’, o Bacco Hermes (sim, ele tem nome, sobrenome, Facebook e já é quase mais famoso que o próprio Aleijadinho, rs).

Bacco Hermes
Bacco Hermes

Sobre o hostel, eu gostaria de dizer que não poderíamos ter escolhido hospedagem melhor. Além da boa localização, os quartos são supernovos, camas boas, banheiro limpinho e o principal: Mama e Papa, os donos de lá, são puro amor. Eles vivem com a família no hostel e tratam todos os hóspedes como filhos. Em três dias lá já nos sentíamos parte da família. Queridos demais! Se for a Ouro Preto, fique no Viva Chico Rei (Hostel!).

Freedom Hostel - Viva Chico Rei
Freedom Hostel – Viva Chico Rei
Nosso quarto no Freedom Hostel
Nosso quarto no Freedom Hostel

Bem, antes de sairmos para o reconhecimento de área, tivemos que fazer um reconhecimento das camas, rs. Estávamos muito cansadas e fizemos uma pausa para descansar. Depois, antes de sairmos para o Festival de Inverno (que falarei mais adiante), fomos à Praça Tiradentes para uma voltinha. E aí já começou o charme todo. Nosso caminho para a praça era justamente pela Igreja de São Francisco de Assis, um dos principais cartões postais de Ouro Preto.

Igreja de São Francisco de Assis
Igreja de São Francisco de Assis ao entardecer

Fizemos uma paradinha para contemplar a construção e já aproveitamos para dar uma olhada na feirinha de artesanato que fica em frente à igreja. A feira é uma overdose de peças em pedra sabão e funciona todos os dias das 8h às 18h30. Para quem curte arte em pedra é um prato cheio!

Feira de Artesanato de Ouro Preto
Feira de Artesanato de Ouro Preto

De lá seguimos ladeira acima (e ladeira abaixo) e fizemos paradas em um milhão de lojinhas também de artesanato, doces, bebidas etc. A parada que mais gostei foi no Armazém Vila Rica, que fica na Rua Direita. Lá comprei (não sem antes experimentar), uma garrafa de Engenho Real e uma de Vale Verde, ambas cachaças mineiras e deliciosas! Também trouxe pra casa três garrafas da Ouropretana, a cerveja que é produzida em Ouro Preto desde 2011.

Antes de seguirmos para o Festival de Inverno, ainda paramos na Chocolates Ouro Preto para saborearmos um docinho. Além das opções com chocolate, há outros doces e bolos, como a broa de milho com calda de erva cidreira, que é o quitute mais pedido da casa. Eu fui de chocolate mesmo. E chocolate com cachaça, rs.

Enfim, depois de tanta comilança regada à cachaça, fomos ao Festival de Inverno, que decepcionou um pouco! 😦

Pelo que vi, li e ouvi, um dos motivos pelo qual o evento pareceu meio decadente, foi o corte de orçamento em relação às edições anteriores. Não sei! Outro motivo foi que, exceto na abertura do Festival, que aconteceu na Praça Tiradentes e teve a Orquestra de Ouro Preto animando a noite com Fernanda Takai, o agito nos demais dias foram no bairro da Barra, uma área mais “obscura” da cidade. Eu esperava mais, mas mesmo assim curti bastante a apresentação que vi, que foi do grupo Samba Preto Choro Jazz. Os caras arrebentaram!

Bem, superada a decepção com o Festival, voltamos para o hostel para descansarmos (e nem incluímos mais o evento na programação do dia seguinte, rs). 

2º dia: ida à Mariana e passeio no trem turístico da Vale

Acordamos cedinho (perdemos a hora) e fomos andando até a estação ferroviária da cidade, para embarcarmos no trem turístico que percorre 18km de ferrovia até Mariana, mas tivemos que mudar os nossos planos um pouquinho.

Já era de se esperar que, com a cidade cheia, a viagem fosse bastante concorrida, né? E foi. Quando chegamos na estação já não tinha mais ticket para a saída da manhã (10h) e já estava esgotando também para a da tarde (14h30). Então adaptamos o roteiro e compramos (ali mesmo) apenas a volta, ou seja, o trecho de Mariana > Ouro Preto, para às 13h (R$ 40,00 por pessoa; estudante paga meia). Infelizmente não é possível comprar pela internet, embora exista todas as informações na página oficial do Trem da Vale.

Estação Ferroviária de Ouro Preto
Estação Ferroviária de Ouro Preto
Estação Ferroviária de Ouro Preto
Estação Ferroviária de Ouro Preto

Com os bilhetes na mão, pegamos um ônibus circular (R$ 2,40) até pouco depois da Praça Tiradentes e de lá seguimos em um outro coletivo que faz o caminho Ouro Preto > Mariana por R$ 3,70. Uma opção rápida e econômica para se chegar à cidade.

Como tínhamos pouco tempo, ficamos só no centro histórico, mais precisamente na Praça Minas Gerais, que é onde estão as igrejas de Nossa Senhora do Carmo e São Francisco de Assis, a Câmara Municipal e o Pelourinho, onde os escravos eram castigados no período colonial.

Subindo para a Praça Minas Gerais, em Mariana
Subindo para a Praça Minas Gerais, em Mariana
Praça Minas Gerais, em Mariana
Praça Minas Gerais, em Mariana

Ficamos ali por algum tempo, escutamos o bater do sino da igreja Nossa Senhora do Carmo ao meio-dia e logo descemos (andando) para a estação ferroviária para o tão esperado passeio de Maria Fumaça.

Igreja Nossa Senhora do Carmo, Mariana
Igreja Nossa Senhora do Carmo, Mariana
Igreja São Francisco de Assis, vista de dentro da Igreja Nossa Senhora do Carmo, Mariana
Igreja São Francisco de Assis, vista de dentro da Igreja Nossa Senhora do Carmo, Mariana

Eu poderia gastar um monte de palavras aqui para descrever como foram os 18km da nossa viagem no tempo, mas preferi fazer um vídeo para compartilhar a nossa experiência com vocês (e para quem estiver na dúvida sobre assistir ou não, recomendo que veja a foto abaixo para decidir :-)).

023_TremDaVale

Vídeo – Passeio no Trem Turístico da Vale:

Demais, né?

Chegando em Ouro Preto, fizemos uma paradinha rápida para matar a fome em um restaurante de comida caseira bem simples e barato (que não lembro o nome, mas fica em frente à estação), e almoçamos por ali.

De lá subimos para a Igreja Nossa Senhora do Pilar, que é a igreja mais rica em ouro de Minas Gerais e muito cheia de detalhes, e depois fomos para o Museu Casa dos Contos, que é um casarão com uma energia bem carregada (de dar arrepios!). Lá é preservado uma senzala em seu subsolo, com objetos que eram usados para punir e marcar os escravos que viviam ali. É bem pesado mesmo, mas vale a visita. Para a entrada na igreja, que também guarda o Museu de Arte Sacra do Pilar, o ingresso custa R$ 10,00 e não é permitido fotografar. Já para o Casa dos Contos o ingresso é gratuito, mas as câmeras também devem ser desligadas em algumas áreas, como na senzala, por exemplo.

Nosso dia terminou com um jantar delicioso no famoso O Passo Pizza Jazz, que fica em um casarão do século XVIII, bem perto da Casa dos Contos, e é parada obrigatória. O lugar é lindo, com vários ambientes, e vale cada centavo e cada minuto gasto na fila de espera.

Cervejinha no O Passo
Cervejinha no O Passo

3º (e último!) dia: Mina da Passagem e volta para BH

No nosso último dia nas cidades históricas, acordamos cedo (dessa vez, de verdade!), arrumamos as coisas, nos despedimos de Mama e Papa e começamos a seguir o caminho de volta. Antes, no entanto, fomos até a Mina da Passagem, que fica na estrada entre Ouro Preto e Mariana e é simplesmente incrível.

Mama e Papa, donos do Freedom Hostel. Queridos demais <3
Mama e Papa, donos do Freedom Hostel. Queridos demais ❤

A Passagem é a maior mina de ouro aberta para visitação do mundo e guarda muitos encantos e mistérios nas suas galerias subterrâneas.

Para descer é preciso pegar um trolley (um trenzinho) que desce por mais ou menos 300m de trilhos, com cerca de 120m de profundidade, e depois o passeio acontece a pé mesmo. Com a companhia de um guia, o grupo caminha pelas galerias e vai até um lago lindo, onde tem uma base de mergulhadores especializados em mergulho em caverna. A entrada custa R$ 39,00 para adultos e R$ 31,00 para crianças e é outra parada obrigatória para quem está viajando pelas cidades históricas.

Nossa viagem terminou com um fim de tarde ‘mara’ em Belo Horizonte, com direito a passadinhas na Igreja de São Francisco de Assis, na Lagoa da Pampulha e no Mineirinho (com Mineirão também!), além de uma noite quente no Festival Savassi de Jazz e Food Truck. Êta mineirada animada, sô! 😉

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7 comentários sobre “Ouro Preto: um subir e descer ladeira com muita história envolvida

      1. Obrigada pela visita, Pat! Demais a viagem por Minas, né? E sem dúvidas fez toda diferença encontrar com vocês pelo caminho. Turma incrível! Que a gente se encontre muito mais nesse mundão afora! Beijos!

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  1. Há duas estradas para se chegar em Ouro preto saindo de SP. Indico muito a estrada que passa por Ouro Branco, onde se cruza uma montanha incrível! A vista é realmente de tirar o folego, cheia de curvas e paisagens lindas.
    Passei o ano novo de 2016/2017.

    beijos da Nicolle da Morada da Floresta

    Curtido por 1 pessoa

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