Fernando de Noronha: visitar a esmeralda do Atlântico pode custar pouco

A ilha mais bonita da América Latina está nos desejos de viagens de todo amante de praia, natureza e belas paisagens. E até dos que não são assim tão praieiros. O problema é sempre o preço de tudo, das passagens à água que se bebe na ilha.

Para alguns, viajar para Noronha é status. Para outros, a viagem vai muito além disso. E é para aqueles que vão além, que buscam realmente o ecoturismo, que quero dividir a nossa experiência de 4 dias na ilha. Foi pouco tempo, mas foram dias que valeram demais!

O começo de tudo: as passagens

Embarcamos para a ilha, minha irmã e eu, no último 15 de abril, mas a viagem começou a ser desenhada 2 meses antes, em 1º de fevereiro, domingo. Não tínhamos nada planejado para uma próxima viagem, que dirá para o sonho de Noronha! Havíamos desembarcado no Brasil há menos de 15 dias, depois de quase 1 mês viajando pela terra do Tio Sam, então a grana estava curta. Mas aí veio a mega promo da TAM e mudou tudo! =D

Nós sempre acompanhamos as promoções de companhias aéreas, páginas de viagens no Facebook, sites, tudo! E já pegamos boas promoções, mas essa veio pra estourar a boca do balão: ida e volta, Guarulhos/SP > Recife/PE, por R$ 363,67 já com as taxas incluídas (pelo Submarino Viagens). Dá para acreditar?! Conseguimos uma data boa, próxima do feriado de Tiradentes, e garantimos a ida à Recife, de 15 a 21 de abril. A primeira parte estava fechada e, na “pior” das hipóteses, aproveitaríamos “só” as belezas do continente.

Primeira parte resolvida, o desafio era encontrar, entre Gol e Azul, que são as companhias que aterrissam na ilha, bons preços para a segunda perna, Recife > Noronha. E não é que a sorte estava do nosso lado? Pegando carona na mega promo da TAM, a Azul também resolveu ‘arrasar na BR’ e fazer promoções incríveis, inclusive para passagens compradas com milhas. Conseguimos comprar cada trecho com 9.000 milhas (o preço normal costuma ser a partir de 20.000), e só pagamos as taxas de embarque (R$ 40,68). Dava pra perder? É claro que não! Passagens compradas, partiu Noronha o/

A escolha da hospedagem

Noronha definitivamente não é o lugar dos grandes hotéis e resorts, mas tem preços bem parecidos.

A ilha é dividida em pousadas top, como a famosa Pousada do Zé Maria ou a Teju-Açu Ecopousada, com diárias que começam em R$ 700,00 e vão até R$ 2.200,00 na baixa temporada para duas pessoas (sim, eu disse diária!); pousadas intermediárias, com diárias na faixa de R$ 400,00 a R$ 600,00; e pousadinhas mais simples, que é possível encontrar diárias para duas pessoas a partir de R$ 250,00.

Nós, que gostamos de viver o dia a dia dos locais, não ligamos pra luxo e queremos sempre gastar pouco, optamos por um modelo de hospedagem que fica entre pousada e hostel (albergue). São as guest houses (casas de família), que alugam quartos a preços bem acessíveis. Em Noronha tem uma porção delas!

Depois de pesquisar bastante, escolhemos a Casa de Mirtes, que fica no bairro Floresta Velha, coladinho na Vila dos Remédios, que é onde estão os restaurantes, lojas, Correios (pra mandar um cartão postal), a prefeitura e a praia (e o bar) do Cachorro. E que boa escolha! =)

A Casa de Mirtes é uma gracinha, super aconchegante, preço mega acessível para os padrões da ilha (R$ 200,00 a diária para duas pessoas), banheiro espaçoso, quarto com frigobar, TV e ar condicionado, e ela, a própria Mirtes, recebe todos os hóspedes com carinho de tia. Sabe aquela tia do interior que você não visita há tempos e que quando chega ela está no portão te esperando com um abraço? Então, Mirtes faz igualzinho com quem chega na casa dela.

Quintal da Casa de Mirtes
Quintal da Casa de Mirtes
Nosso quartinho na Casa de Mirtes. Muita lindeza, carinho e cuidado <3
Nosso quartinho na Casa de Mirtes. Muita lindeza, carinho e cuidado ❤

O único desconforto é que não tem internet (mas até aí, não tem em praticamente nenhum canto da ilha), ela não oferece café da manhã, e se você pegar dias de chuva, precisará largar a frescura de lado e se meter nas duas ruas de terra que te levam da casa até a avenida principal (que na verdade é uma rodovia – a BR 363 – com 7km de extensão, que liga os dois extremos da ilha). Mas nada disso atrapalha nem mata ninguém. Pretendo voltar e com certeza ficarei na “tia Mirtes” de novo.

A chegada na ilha

Agora que já temos como chegar e onde dormir, hora de arregaçar as mangas e preparar todo o resto: verificar as taxas de preservação e ingressos para acesso a algumas praias, organizar o roteiro e passeios, separar os equipamentos de foto e mergulho, e até ficar atento à escolha do assento no avião (sim, porque chegar à Noronha merece cuidado especial até na hora do check-in).

Como uma imagem vale mais que mil palavras, vou explicar o porquê com duas (quatro, na verdade, porque uma tá dividida em três :-D):

A vista da ilha para quem está do lado esquerdo do avião
A escolha da poltrona no Web Check-in - Nós conseguimos os dois últimos assentos disponíveis do lado esquerdo da aeronave, enquanto o lado direito estava bem disponível
A escolha da poltrona no Web Check-in – Nós conseguimos os dois últimos assentos disponíveis do lado esquerdo da aeronave, enquanto que o lado direito estava bem disponível

É, gente! Só tem essa vista maravilhosa dos Dois Irmãos quem está à esquerda do avião. Exceto se o piloto estiver disposto (e se as condições do tempo permitirem), acontece um voo panorâmico pela ilha, para que todos possam contemplar a vista. Caso contrário, quem está à direita vê água sem fim e um pedacinho da ilha, e quem está à esquerda tem essa vista maravilhosa! Nós não tivemos o panorâmico, mas estávamos lindamente na última janelinha da esquerda, então o coração bateu mais forte já na chegada! =D

Acreditem se quiserem, mas rola o maior bafafá na hora do embarque. Todo mundo querendo dizer que tem a sua poltrona marcada à esquerda. No nosso voo mesmo teve um mal-estar de leve entre dois passageiros que estavam na nossa frente. Ambos diziam ter a janela da esquerda. Um era o Pinóquio. Hehehe.

Chegando no aeroporto, já caímos numa pequena sala onde se paga pela TPA (Taxa de Preservação Ambiental), que é de R$ 51,40 por dia de permanência na ilha. A taxa pode ser paga pela internet também, por boleto bancário emitido aqui, com até 2 dias antes da sua chegada (para que aconteça a compensação em tempo). Li em muitos lugares que é mais vantajoso pagar pela internet para acelerar a saída do aeroporto. Acontece que, obviamente, todo mundo resolve seguir essa dica e a fila acaba ficando muito maior para quem já pagou (foi o que aconteceu com o nosso voo). Nós deixamos para pagar lá no aeroporto mesmo e acabamos indo pegar as malas antes da turma que havia adiantado os trâmites pelo site.

Ainda falando em taxas, outra importante e que aí vale a pena adiantar de casa, antes da viagem, é o ingresso para o Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha, que pode ser adquirido aqui. Ele custa R$ 99 para brasileiros e R$ 198 para estrangeiros e é válido por 10 dias (atualizado em setembro/17). Você precisará dele para acessar uma série de praias e trilhas. Com o voucher impresso, troque-o pelo cartão na sede do ICMBio, na Vila Boldró.

Pois bem, tudo pago, malas em mãos, livres para voar (ou melhor, para mergulhar) em Noronha!

Logo na saída do aeroporto, uma alegria: uma amiga que não víamos há tempos estava nos esperando com um abraço e uma carona! Hehehe. Ela é veterinária e está morando na ilha por 3 meses, fazendo um trabalho voluntário no ICMBio. Para quem não tem abraço nem carona (rs), o taxi custa R$ 26,00 para qualquer ponto da ilha.

Os passeios

Nosso roteiro era bem apertado e ainda tínhamos uma incerteza: a situação climática na ilha. A temperatura média durante todo o ano em Noronha é de 28ºC, mas os meses de março a agosto são bem chuvosos (e abril é o pico!). Além disso, a previsão que vínhamos acompanhando pelo celular era a pior possível (e as notícias também!). Vários voos em dias anteriores haviam sido cancelados, porque a pista do aeroporto noronhense é bastante escorregadia e, quando molhada, nenhum avião decola ou pousa (parece que isso será resolvido com uma reforma emergencial agora entre abril/maio).

Bem, mas a sorte estava do nosso lado, né? Chegamos na tarde de quarta-feira, dia 15, com dia nublado, mas a quinta e a sexta foram dias incrivelmente ensolarados, com chuvas isoladas durante a noite, só para fazer aquela lama básica no nosso caminho de casa, rs. O sábado teve sol e teve chuva, mas nada que atrapalhasse o nosso roteiro.

Lama pouca é bobagem 😀

Mesmo com dia nublado, aproveitamos a tarde do primeiro dia para fazer um reconhecimento de área: saímos da Casa de Mirtes, descemos pela rodovia e em poucos minutos chegamos à Vila dos Remédios, por onde passamos batido, já que o que queríamos mesmo era ver a praia. A intenção era chegar à Praia do Cachorro, mas erramos o caminho e caímos na Praia do Meio, que fica entre Cachorro e Conceição. Ficamos pouco tempo por lá e seguimos para a Praia da Conceição, que tem vista para o Morro do Pico e é uma ótima opção para curtir o fim de tarde.

Praia do Meio
Praia do Meio (clique para visualizar a imagem maior)
Morro do Pico - Entardecer na Praia da Conceição
Morro do Pico – Entardecer na Praia da Conceição (clique para visualizar a imagem maior)
Pôr do Sol Praia da Conceição
Pôr do Sol Praia da Conceição (clique para visualizar a imagem maior)

Na volta, já subindo pra casa novamente, fizemos uma pausa para repor as energias no Açaí da Vila, na Vila dos Remédios. Tomamos um açaí com banana (R$ 18,00 o pote médio), descansamos um pouco e seguimos a caminhada morro acima. Ainda no caminho, passamos numa vendinha para comprar umas coisinhas para o café da manhã (uma caixa de suco “Laranja Caseira”, R$ 10,00; um Toddynho, R$ 3,00). Não compramos água nesse dia, porque logo que chegamos na Casa de Mirtes, um dos hóspedes estava indo embora e, muito gentil, nos ofereceu um galão de 5L de água mineral que estava pela metade. Aceitamos! Pouco tempo depois, percebi que o que aquele rapaz havia nos dado era quase ouro. É que um galão de água na ilha custa R$ 15,00 (5 litros).

Brincando com amigos nos poucos momentos de internet que tivemos por lá, eu disse que para ir à Noronha é preciso ter dinheiro ou disposição. Obrigatoriamente um dos dois, rs. No nosso caso, como vocês já sacaram, levamos disposição.

O que acontece é que mesmo a ilha sendo pequena, não é nada fácil (nem barato) se locomover por lá. São subidas e descidas intensas, normalmente de terra (lama, na chuva) ou pedra, o que torna os deslocamentos um pouco complicados.

Pois bem! Chegamos em casa, tomamos um banho e caímos na cama, porque o dia seguinte seria puxado (e intenso!).

Acordamos bem cedo, preparamos todos os equipamentos de mergulho e fotos e às 7h50 o carro da Atalaia Receptivo passou para nos pegar para o Ilha-Tour (R$ 120,00 por pessoa, passeio de 8 horas, sem almoço incluso no valor) – o Ilha-Tour completo e os demais passeios que fizemos podem ser acompanhados no vídeo ao final do post 😉.

Galera pronta para o passeio com a Atalaia Receptivo. No comando, o querido guia Rivaldo
Galera pronta para o passeio com a Atalaia Receptivo. No comando, o querido guia Rivaldo

Li muitas opiniões sobre fazer ou não o passeio e, como sempre, quis pagar pra ver. E que ótimo, porque o Ilha-Tour é bem legal pra se ter um panorama geral da ilha. É bastante corrido, sim, mas vale muito a pena. Se tiver como escolher, peça para fazer com o guia Rivaldo. Ele é incrível e com certeza fez toda a diferença no nosso dia.

Depois de juntar todo o grupo, nossa primeira parada foi no Centro de Voluntário do ICMBio e do Projeto Tamar, na vila Boldró, para trocarmos os vouchers do Parque Nacional pelos ingressos e também para a turma alugar equipamentos de mergulho (numa loja que fica ao lado, chamada Santuário). Nós já tínhamos máscara, respirador e nadadeiras, mas optamos por alugar coletes salva-vidas, para facilitar a flutuação em alguns pontos (R$ 10,00 por 1 dia – o kit com os outros acessórios custa R$ 20,00). Lá também é possível alugar câmeras subaquáticas (para quem não tem, recomendo, porque as experiências mais lindas de Noronha são debaixo d’água).

Logo depois seguimos para o PIC Golfinho-Sancho, que dá acesso às trilhas que vão para o mirante dos golfinhos, mirante do Sancho e mirante da Baía dos Porcos, de onde se vê o cartão postal de Noronha: os Dois Irmãos. As trilhas são todas bem sinalizadas e com um deck feito em “madeira plástica” (plástico reciclado). Tudo bem tranquilo!

Primeira parte da trilha para a Praia do Sancho
Primeira parte da trilha para a Praia do Sancho

A primeira paisagem deslumbrante, depois de 300 metros de trilha, é logo a Praia do Sancho, eleita a mais bonita do mundo pelos colaboradores do TripAdvisor. A vontade ali é chorar com tanta beleza envolvida. É incrível! Já estivemos em praias muito bonitas por aí, inclusive no Caribe, mas o Sancho é um mix de coisas. Mar cheio de cores, falésias, vegetação… tem até uma cachoeira no meio de tudo. É demais!

Praia do Sancho (clique para visualizar a imagem maior)
Praia do Sancho (clique para visualizar a imagem maior)

E é com toda essa beleza que vem a coragem! Para chegar à praia, é preciso descer por uma escadaria de 50m de altura, em meio a uma fenda de uma falésia (paredão) que separa a trilha da praia. E não tem jeito! Para aproveitar as maravilhas do Sancho, só encarando a escada ou chegando de barco (que não deve ter a mesma emoção nem a mesma vista!). Então, bora encarar a escada, né? Tendo cuidado, não é nada muito difícil, não. Estávamos todos de chinelo e com mochilas, mas não tivemos nenhum imprevisto nem na descida nem na subida. O ideal, no entanto, é usar sandálias presas no pé ou tênis.

Escadinha que dá acesso à praia
Escadinha que dá acesso à praia

Depois de descer, respirar e tomar uma água (levada na mochila – na praia não se vende nada), a primeira diversão foi nadar até os corais que ficam à direita da praia, mais para o fundo, e fazer mergulho livre ali (com snorkel). Não vimos tartarugas, mas vimos uma diversidade incrível de peixes. Tudo lindo demais!

Saindo do mar, fomos direto para a cachoeira do Sancho que, segundo o guia, só dá as caras em época de chuva. A cachoeira é bem gostosa e, diferente do normal, tem água quentinha, mas a vista é mais bonita de longe que de perto. Vale a pena conhecer, mas se bater aquela preguiça, ficar curtindo a praia pode ser uma ótima opção! 😉

Mergulho, peixinhos, Sol, banho de cachoeira… hora de encarar a escadaria para subir. A boa notícia aqui é que o movimento de pessoas entrando e saindo da praia é intenso, então rola uma paradinha ou outra pelo caminho para esperar que os grupos subam e desçam (como passa uma pessoa por vez pela escada, há um controle: desce um grupo, sobe um grupo… e assim vai), e aí dá pra descansar e dividir a subida em duas vezes, rs.

Os grupos esperando para subir
Os grupos esperando para subir

Do Sancho aproveitamos a trilha e fomos para o mirante Dois Irmãos. Meu Deus! A vista de lá é uma das mais bonitas da vida. Que paisagem! Do mirante temos a vista para a Baía dos Porcos e para os dois morros. É lindo demais! Ficamos um tempo lá para admirar a paisagem, tiramos algumas fotos e logo seguimos para mais uma praia.

Mirante Dois Irmãos
Mirante Dois Irmãos (clique para visualizar a imagem maior)
Mirante Dois Irmãos
Mirante Dois Irmãos (clique para visualizar a imagem maior)

Eu ainda fiz uma parada rápida na lanchonete do PIC para aliviar a fome (sanduíche natural, R$ 8,00; Ice Tea lata, R$ 7,00) e na loja da entrada do Parque para comprar uma camiseta UV, aquelas especiais para esportes aquáticos, com a estampa do Parque e escrita “Fernando de Noronha”. Bem bonita e o preço até que razoável (R$ 119,00). A mesma malha na loja “Amo Noronha”, dentro do aeroporto, estava custando R$ 149,00 (mas era bem bonita também, rs). O preço em lojas de esporte, de marcas como Nike e Adidas fica nessa faixa mesmo, então melhor ter uma temática e que traga boas recordações, né?

Seguindo o roteiro do dia, próxima parada: Praia do Leão, maior área de desova de tartarugas marinhas. Água muito azul e verde, tipo Caribe, e uma vista muito bonita para o mar de fora (o lado da ilha virado para o continente europeu). A praia tem esse nome por causa de uma pequena formação rochosa que tem bem em frente e que, segundo dizem, lembra um leão-marinho. Eu acho que tomei pouca cerveja no dia anterior (não tomei nenhuma, na verdade, rs), e aí não consegui identificar o tal do leão, mas tá valendo, hehehe. Ali os ventos são bem fortes e, por isso, o mar muito agitado, ou seja, nada de se atirar na água.

Praia do Leão, com a pedra do Leão ao fundo
Praia do Leão, com a pedra do Leão ao fundo (clique para visualizar a imagem maior)
Praia do Leão
Praia do Leão (clique para visualizar a imagem maior)
Aquele momento em que a gente para pra ver as fotos em casa e encontra um tubarão baby na imagem. Não é demais? rs
Aquele momento em que a gente para pra ver as fotos em casa e encontra um tubarão baby na imagem. Não é demais? rs (clique para visualizar a imagem maior)

Da Praia do Leão seguimos para a Baía do Sueste, que também fica no mar de fora. Lá, assim como no Sancho, é preciso ter o cartão do Parque para ter acesso à praia. Há infraestrutura de lanchonete, lojinha de souvenir, ducha e banheiros, mas não pegamos um bom momento para curtir. Ainda sem explicação, uma enorme quantidade de algas avermelhadas tomou conta da Baía (e de outras praias de Noronha) no começo de abril (leia sobre o fenômeno aqui). Então, com a visibilidade bastante comprometida, optamos por seguir para o almoço e fazer o próximo mergulho livre na Baía dos Porcos.

Praia do Sueste tomada por algas avermelhadas
Praia do Sueste tomada por algas avermelhadas (clique para visualizar a imagem maior)

A parada para almoço foi no restaurante Flamboyant, que fica na pracinha da Vila dos Remédios. Uma ótima opção para um almoço rápido e gostoso. O serviço no almoço é self-service, por quilo, e a comida bem gostosa! Lá o almoço funciona até às 16h e depois tem jantar com esquema à la carte. Preço super acessível para os padrões da ilha: R$ 52,90 o quilo, ou seja, com menos de R$ 50,00 se come bem e ainda dá pra tomar um refresco ou uma cervejinha (R$ 6,00 a Skol; R$ 6,00 refrigerante – ambos lata).

Energias recuperadas, hora de continuar o Ilha-Tour com destino ao Alagado dos Tubarões e à Enseada da Caiera, na região do Porto Santo Antônio. Nossa parada foi no alto do morro, na charmosa Capela de São Pedro, onde acontecem vários casamentos alternativos e descolados (leia-se ricos, rs), como o de Paulinho Vilhena e Thaila Ayala.

A vista da Capela de São Pedro para o Porto Santo Antônio e o Morro do Pico mais ao fundo
A vista da Capela de São Pedro para o Porto Santo Antônio e o Morro do Pico mais ao fundo (clique para visualizar a imagem maior)

Nosso tempo na Enseada foi só para admirar a beleza deslumbrante de suas águas azul-esverdeadas e fazer fotos, já que a área é protegida por ser habitat de tubarões e, por isso, terminantemente proibida para banhistas.

Enseada da Caieira
Enseada da Caieira (clique para visualizar a imagem maior)

O mesmo aconteceu no Alagado dos Tubarões. Mesmo do alto é possível observar uma série deles nadando pra lá e pra cá na beira da praia. É lindo de se ver (de longe), rs.

Alagado dos Tubarões
Alagado dos Tubarões (clique para visualizar a imagem maior)
Alagado dos Tubarões, cheio de tubarãozinho :-D
Alagado dos Tubarões, cheio de tubarãozinho 😀 (clique para visualizar a imagem maior)

Próximo à Enseada há ainda o Buraco da Raquel, uma formação rochosa que, diz a lenda, era onde se refugiava a filha de um comandante da ilha de suas crises de depressão (ou para encontros amorosos, numa segunda versão mais picante :-D). Da Caieira também sai a trilha longa para a praia do Atalaia, piscina natural e berçário de tubarões, que faz parte do Parque Nacional, mas que não pudemos visitar porque estava fechada por causa do mal tempo. 😦

E, pra fechar essa ponta da ilha cheia de atrações, há também uma parada interessante no Museu do Tubarão. Além da história dos tubas, ainda há um restaurante que serve bolinho de mandioca com carne de tubarão (curioso!), além de outras delícias com frutos do mar. Nós não comemos porque estávamos vindo do almoço, mas aproveitamos a parada para nos refrescar com uma água de coco (R$ 8).

Uau! Parece que já foram dois dias cheios, né? Mas ainda tem muita emoção neste primeiro dia de tour por Noronha.

Depois de visitar o Museu, fomos para a Cacimba do Padre, praia de mar bastante agitado e ótima para surf, e que dá acesso, por meio de uma trilha (só pedras), à Baía dos Porcos (nós já havíamos visto a Baía de cima, lá do Mirante Dois Irmãos, mas agora chegamos por baixo).

Eu nem sei o que dizer sobre a beleza que é a Baía. É de tirar o fôlego! A praia tem uma faixa estreita de areia, muitas pedras e um paredão bem alto que, junto com os Dois Irmãos, compõe o visual dos mais lindos que já vi. Chegando lá caímos na água (cristalina) para mais uma sessão de mergulho livre. Nadamos alguns metros mar adentro e logo vimos duas tartarugas passando do nosso lado, uma infinidade de peixes e, na volta, uma raia desfilando lindamente na beira da praia. É uma sensação incrível poder sentir tanta vida debaixo d’água.

Trilha para chegar na Baía dos Porcos
Trilha para chegar na Baía dos Porcos (clique para visualizar a imagem maior)
Baía dos Porcos
Baía dos Porcos (clique para visualizar a imagem maior)

Para fechar o nosso dia com chave de ouro, fomos para o Mirante do Boldró para ver o Sol se despedir num espetáculo à parte. Enquanto a tarde caía, tomamos uma cerveja (R$ 18,00 a garrafa de Original; R$ 10,00 a long neck – Heineken), num bar que fica no próprio Mirante. Acho que foi a garrafa de Original mais cara da minha vida, mas precisávamos brindar o pôr-do-Sol daquele dia incrível! 🙂

Todo mundo esperando o espetáculo do Sol no Mirante do Boldró
Todo mundo esperando o espetáculo do Sol no Mirante do Boldró (clique para visualizar a imagem maior)
Pôr do Sol no Mirante do Boldró
Pôr do Sol no Mirante do Boldró (clique para visualizar a imagem maior)

Agora sim, Ilha-Tour cumprido, hora de voltar para casa.

Chegamos na Casa de Mirtes por volta de 19h, acabadas, tomamos um banho, comemos um lanche lá mesmo e caímos na cama. Não tínhamos forças para mais nada a não ser dormir, rs.

No dia seguinte, sexta-feira, tínhamos no roteiro uma trilha pela manhã, mas não conseguimos sair da cama cedo (sim, gente, Noronha cansa muito!). Acordamos um pouco mais tarde (10h), fomos ao mercadinho “Breakfast” comprar alguma coisa para o café da manhã (2 achocolatados Nescau 200ml, R$ 6,00; 8 fatias de pão integral R$ 5,90; 160g de mussarela R$ 6,30) e descemos para o Palácio de São Miguel, sede da administração da ilha, também conhecida como “Praça do Face”, rs. É que lá é um dos poucos pontos de Noronha (se não o único) em que funciona internet (wi-fi Noronha Digital). Aí todo mundo se concentra lá para as atividades digitais, como acessar o Facebook :-D. Depois de atualizar o email e dar um oi para os amigos (não espere mais que isso da internet, rs), ainda aproveitamos que estávamos na porta dos Correios para enviarmos alguns cartões postais para a família e amigos, e logo fomos ao Bar do Cachorro para um petisco com cerveja (preços aqui).

Sinalização para o Mercadinho & Padaria Breakfast
Sinalização para o Mercadinho & Padaria Breakfast
Palácio (ou a Praça do Face, rs)
Palácio ou a Praça do Face, rs (clique para visualizar a imagem maior)
Agência dos Correios noronhense
Agência dos Correios noronhense

Do Cachorro iniciamos a caminhada para a Praia da Conceição, mas tivemos a sorte de ganharmos uma carona do “Duda-Príncipe”, filho do Duda-Rei, dono da única barraca de praia da Conceição. Foi um presente de Deus, porque economizamos pernas para a volta (sim, em Noronha é comum que as pessoas ofereçam caronas! <3). Curtimos a tarde na Conceição e, claro, para retribuir a gentileza do rapaz, fechamos a tarde com um drink no Duda-Rei (preços aqui).

Curtindo a Praia da Conceição no Duda-Rei
Curtindo a Praia da Conceição no Duda-Rei (clique para visualizar a imagem maior)
Praia da Conceição, assim como a Cacimba do Padre, é pico de surf
Praia da Conceição, assim como a Cacimba do Padre, é pico de surf (clique para visualizar a imagem maior)

Com menos atividades que o dia anterior, a sexta teve lá o seu charme. Voltamos para casa para uma soneca (não sem antes passarmos no Açaí da Vila para um açaízinho) e logo começamos a produção para o tradicional Forró do Cachorro. E, olha: por favor, não saia de Noronha sem ir ao Forró do Cachorro. Casados, solteiros, enrolados: simplesmente vão! A entrada custa R$ 20,00 e a cerveja R$ 5,00 (Skol latinha – 269ml) e vale muito a pena. Às 4h da manhã eu já não aguentava mais colocar o pé no chão de tanto “forrozear”.

Forró do Cachorro
Forró do Cachorro

Saímos do bar antes do fim da festa (parece que a alegria por lá vai até o Sol nascer – e como o bar é na ponta da praia, a vista deve ser linda ao amanhecer!) e começamos a caminhada morro acima. Eu já estava mais pra lá do que pra cá, depois de algumas cervejas e tanto arrasta pé, mas ainda tínhamos uma ladeira daquelas para subir até a Casa de Mirtes, sem contar as duas ruas de terra (lama, por causa das chuvas) até chegar. Força na peruca e ‘pernas pra que te quero’ até a cama (ops! chuveiro), para o descanso de algumas horas até o próximo despertar.

Sábado chegou com mais um Sol raiando e com aquela tristeza do último dia no paraíso… 😦 Antes de ir embora, no entanto, ainda tínhamos mais um monte de surpresas!

Logo cedo, Rivaldo, nosso guia da Atalaia Receptivo, passou para nos dar uma carona até o porto. Havíamos fechado com um casal que fez o Ilha-tour conosco para fazermos um passeio de barco até os Dois Irmãos, com direito a PlanaSub (mergulho à reboque) na manhã do sábado. E lá fomos nós!

Porto Santo Antônio
Porto Santo Antônio (clique para visualizar a imagem maior)
Praia do Portinho
Praia do Portinho (clique para visualizar a imagem maior)

Chegamos no portinho por volta de 8h e fomos recepcionados pelo Dipeto, dono do barco, que recomendo muitíssimo! De lá saímos rumo aos Dois Irmãos, passamos pela Praia da Conceição, Morro do Pico, Praia do Boldró, pelo rochedo do Rugido do Leão (um paredão onde o choque das águas faz o barulho do rugido de um leão) e fomos até os Dois Irmãos.

Rochedo do Rugido do Leão
Rochedo do Rugido do Leão (clique para visualizar a imagem maior)

Chegando lá, Dipeto preparou as pranchas e caímos na água. Assim que eu pulei do barco e me ajeitei na pranchinha, a surpresa: um tubarão maior que eu, logo abaixo de mim, a uns 6 metros de profundidade, nadando todo faceiro. Eu não sabia se ria, se chorava, se saía nadando… uma emoção indescritível. Sem saber o que fazer, gritei para a turma que ainda estava no barco. Foi engraçado! 😀 Felizmente o grandão não estava afim de ser o protagonista do passeio e ficou só na figuração. Logo ele se afastou e seguimos o mergulho à reboque sem nenhuma outra visita parecida. Vimos ainda peixes, tartarugas e aquele fundo do mar maravilhoso que só Noronha tem! 🙂

PlanaSub com Dois Irmãos ao fundo
PlanaSub com Dois Irmãos ao fundo (clique para visualizar a imagem maior)
PlanaSub com Dois Irmãos ao fundo
PlanaSub com Dois Irmãos ao fundo (clique para visualizar a imagem maior)
Eu com a câmera tentando me segurar na prancha :-D
Eu com a câmera tentando me segurar na prancha 😀 (clique para visualizar a imagem maior)

O passeio de barco terminou no “portinho” com direito a um peixe delicioso, acompanhado de salada com azeitonas e pão assado, oferecido pelo próprio Dipeto, dentro do valor que já havíamos acertado com ele (R$ 120,00 por pessoa – acho que um dos poucos preços que achei justo em toda a ilha, rs).

Almocinho com as meninas na lancha do Dipeto
Almocinho com as meninas na lancha do Dipeto

De lá pegamos um ônibus (R$ 3,00) sentido Sueste e voltamos para casa para um banho rápido, porque o horário do nosso voo para Recife estava próximo.

Da Casa de Mirtes ao aeroporto fomos de taxi (R$ 26,00) e, depois de despacharmos as malas, ainda compramos uns souvenirs na loja do Projeto Tamar, dentro do próprio aeroporto.

Tudo pronto, avião na pista, hora de encher os olhos de lágrimas, olhar pra trás e agradecer pelos dias incríveis que passamos na ilha. Obrigada, Noronha! E até a próxima! 😉

Clipe com os melhores momentos da viagem:

Noronha em 10 dicas (as não óbvias):

  • Para quem quer economizar e manter a linha na alimentação: leve comidinhas e snacks tipo barra de cereal, biscoito integral e cookies. Lá é tudo bem caro e pode não ter muita opção.
  • Leve roupa de banho confortável e uma lycra com proteção UV. Você poderá perder seu biquíni durante um mergulho e outro.
  • Tenha o seu próprio kit básico de mergulho (máscara e respirador – snorkel). Não é todo lugar que tem para alugar e, além de custar caro, não é lá muito higiênico, né?
  • Leve tênis, sandália de amarrar no pé e mais de um par de chinelo. A ilha é muito cheia de pedras e você vai estourar pelo menos uma correia (daquelas tipo Havaianas) na viagem.
  • Ande de ônibus e aceite caronas sem medo. Você vai ganhar tempo e se cansar menos assim.
  • Não se deixe cair no medo por causa da altura do paredão da Praia do Sancho. Respire, deixe o medo de lado e desça as escadas. Você não vai se arrepender.
  • Aproveite pelo menos um pôr-do-Sol no Mirante do Boldró.
  • Vá ao Forró do Cachorro, sim ou sim.
  • Abril, maio e junho são meses de chuva na ilha e, portanto, baixa temporada. Com isso, você consegue preços bons nas passagens aéreas, hospedagens e passeios, mas pode perder algumas atrações por causa do mal tempo.
  • Esqueça internet durante a sua estada na ilha. Desconecte-se e resolva o que tem para ser resolvido enquanto estiver no continente. Além de não ter infraestrutura digital, Noronha é para ser vivida por inteiro, de corpo e alma. Dedique-se só à natureza enquanto estiver lá! 😉
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21 comentários sobre “Fernando de Noronha: visitar a esmeralda do Atlântico pode custar pouco

  1. Gi, eu fui a Noronha em 2009 e no seu texto me senti revisitando, muito bom mesmo. Na minha opinião, vocês deviam ter experimentado a pitomba, uma fruta deliciosa do nordeste e que tem de monte na ilha! No mais, já estou esperando a próxima viagem…

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    1. Oi, Adriana! Muito obrigada por ler o blog e compartilhar as suas impressões aqui. A ideia do ViaGi é justamente relatar bem de perto tudo o que vivo por aí. Espero ter ajudado e que você aproveite muito Noronha. Ah, e claro, volte sempre aqui! 🙂 Um beijo!

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  2. Gi!
    Estou pesquisando para decidir sobre meu próximo destino e voltei aqui pois sabia que tinha um post de Noronha… Simplesmente sensacional!!!
    Já li muita coisa, mas nada tão completo, detalhado e informativo!
    Dá pra fazer um copy-paste do roteiro e já se enxergar nessa maravilha de lugar!
    Parabéns!!! E muito obrigada, ajudou muito!

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  3. O que é isso \o/. que post maravilhoso. Foi incrível parece que assisti um filme maravilhoso lendo este post. Parabéns pela postagem, simplesmente amei. Pretendo ir para Noronha em março nas minhas ferias, vou aproveitar bastante suas informações. . Bjus

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    1. Poxa, Mayara. Que delícia ler isso. Toda vez que escrevo um post, penso mesmo em dividir a experiência que tive com todas as emoções juntas. E é bom demais ver que mesmo sendo um textão, as pessoas se envolvem. Muito obrigada! Quando for à Noronha, conte pra gente também! E use a #blogviaGi \o/ Um beijo, Giseli.

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    1. Oi, Caroline! Que bom que gostou das dicas. Noronha é uma delícia e você vai amar. Olha! Sobre a GoPro, eu confesso que não me atentei a esses detalhes porque estava com a minha, então só vi que alugam câmeras subaquáticas. Mas falei com uma amigona que morou um tempo na ilha e ela me disse que sim, que eles têm GoPro também! O preço é cerca de R$ 60 o dia e também fica ali no Tamar ou então na ladeira do Portinho. Procure pelo André ou pela Luana. E, claro, depois nos conte como foi a sua viagem. Ah! Você já conhece a nossa página no Facebook? Aí vai: https://www.facebook.com/blogviagi – Beijos e boa viagem! 😉

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    1. Oi, Demilson, que bom que você gostou! Fico muito feliz. Eu ainda não tinha feito um Instagram para o blog, mas você me deu uma ótima ideia, então acabo de criar (@blogviagi). Vou começar a postar fotos das viagens antigas e também de novos destinos. Muito obrigada pela visita! Beijos

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  4. Gi estou em Noronha e sem duvida nenhuma suas dias são top…exatamente como é aqui, de diferente, fizemos um mergulho no Sueste onde um guia nos leva com uma bóia e nos ajuda a ver as belezas que tem na vida aquática de Noronha…atualmente R$40,00 por pessoa. Sem dúvida a melhor experiência da minha vida!!!

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  5. Oi Gi, pela milésima vez lendo o post e adorando tudo! Muito bom!
    Já anotei todas as dicas e vamos pra Noronhaaaaaaaaaaaa!!! uhuuuuu
    só os valores das taxas do parque nacional que aumentaram… rs
    99 brasileiros e 198 estrangeiros
    Beijos amora! obrigadíssima ❤

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